top of page

O corpo do som

  • Foto do escritor: Paulo Jorge
    Paulo Jorge
  • 31 de jul. de 2022
  • 1 min de leitura

Atualizado: 1 de ago. de 2022

Caiu a noite, o corpo gelou e estremeceu

Sentiu-se um vazio, tudo o que era desapareceu

E a alma ascendeu


Na noite fria a alma desarraigou

No desprendimento procurou

O vento soprou e uma voz de dentro ecoou


Eis-me aqui despido perante ti

Nada trago comigo que de ti te leve

Onde procurei nunca te vi

Longe de tudo que me encarregue


Tudo o que se firmava num instante se recolheu

Nada daquilo que se pronunciava restou

Apenas o som vazio venceu

Como se um encanto e lenda se tratou


Se não te achei

O que levaria vestido que a ti me leve?

Escondi-me nas brumas da solidão e me despejei

De ti não há pena que escreve

Só existe a brancura da neve


Com o frio que se fazia intenso as calotas cederam

Pelo enorme e insustentável peso romperam

As estrelas retidas pelos glaciares precipitavam

Capultavam rio abaixo e no mar desaguavam

Replicavam para que fossem socorridas

Antes que pelas profundezas fossem colhidas


Ouvindo as suas súplicas eu me formava

Não havia nada que se assemelhasse à sua voz e pranto

Abri o livro e comecei a escrever o que em mim se pronunciava

E o campo se encheu e povou com o seu canto


O instrumento tem que estar despido e isento de todo o ruído para poder produzir e dar corpo ao som.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Amor incondicional sem dogmas

Amor incondicional e sem dogmas Alguém já é amado tendo o céu e a terra, a oportunidade de preencher o lugar com seu ser e com o caminho...

 
 
 
Vigilante

O agora é o tempo de todos os tempos O agora não são os tempos que correm Os tempos que correm é o que se tem planeado e feito É aquilo...

 
 
 
Volúpia do insipido

O cristal é enganador Transparente, sem transparecer nada e sem cor Absorve tudo, que nada retem, nada protege nem ampara, desolador...

 
 
 

Comentários


Post: Blog2_Post

©2022 por Paulo JS Fidalgo. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page